ENGENHARIA FILOSÓFICA

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Teoria do Design Inteligente

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Como se faz uma ratoeira?

Atualmente tem havido um grande debate se a origem da vida é mais bem explicada pelo naturalismo[1] ou design. A teoria do design inteligente (TDI) é definida como “uma teoria científica que defende que certas características do universo e dos seres vivos são mais bem explicadas por uma causa inteligente ao invés de processo não direcionado como a seleção natural”. Também pode ser entendida como o estudo dos padrões na natureza que carregam as marcas de causalidade inteligente.[2] Como afirma o bioquímico Michael Behe, “o Intelligent Design incorpora o ceticismo que muitas pessoas têm acerca do Darwinismo, e desafia a evolução em seu próprio território, como uma teoria científica”.[3] Ou, ainda, conforme o Portal TDI Brasil, “A Teoria do Design Inteligente é uma teoria minimalista que pode ser resumida na assertiva que ‘certas características do Universo e da vida são melhores explicadas por causas inteligentes e não processos estocásticos’.”[4]

Um breve histórico “recente”

Em 1993, um grupo de cientistas e filósofos norte-americanos se reuniu em uma conferência na cidade de Pajaro Dunes, Califórnia, a fim de questionar a teoria da evolução. O grupo inicial de dissidentes foi composto por pesquisadores de diversas áreas, tai como Phillip E. Johnson (organizador da conferência), Dean Kenyon, Paul Nelson, Stephen C. Meyer, William Dembski, Jonathan Wells, Jed Macosko, Scott Minich, Siegfried Scherer, Kurt Wise, David Raup (o mais influente paleontólogo evolucionista, um iconoclasta que desafiou postulados evolucionários aceitos com análises baseadas em descobertas de fósseis), Charles Thaxton, Walter Bradley e Michael Behe. Foi então que o design inteligente, tal como o conhecemos hoje, foi oficialmente estabelecido como teoria científica, embora os pressupostos do design não sejam novos.[5]

Lehigh University biochemistry professor Michael Behe, a leading advocate of ``intelligent design,'' fields media question following his second day in federal court in Harrisburg, Pa., Monday, Oct. 18, 2005. The clash over whether "intelligent design" should be mentioned alongside evolution in public school science classrooms is going before a federal judge. (AP Photo/Bradley C. Bower)

O bioquímico Michael Behe

O que levou aqueles cientistas e filósofos a se reunirem? Phillip E. Johnson, em sua obra Darwin no Banco dos Réus, de 1991, organizador da conferência de 1993, resume: “Uma objeção comum ao criacionismo em eras pré-darwinianas era que ninguém podia dizer nada sobre o mecanismo da criação. Os criacionistas simplesmente apontavam para o ‘fato’ da criação e concediam ignorância dos meios. Mas agora, […], a teoria de Darwin da seleção natural está sob fogo e os cientistas não estão mais certos de sua validade geral. Os evolucionistas cada vez mais falam como criacionistas em que eles apontam para um fato, mas não podem fornecer uma explicação dos meios.”[6]

Para Michael Behe, que também fez história ao causar polêmica com seu A Caixa Preta de Darwin,de 1997, há motivações práticas sérias para o ceticismo da teoria neodarwiniana: “As publicações científicas não apresentam detalhes, modelos testáveis, nem evidências experimentais mostrando que os processos darwinianos poderiam desenvolver sistemas de complexidade irredutível. Concluo que a evidência está faltando porque sistemas complexos não podem ser desenvolvidos por forças aleatórias”.[7]

Criacionismo ou Teoria do Design Inteligente? Qual a diferença?

Em entrevista, Stephen C. Meyer, um dos líderes do TDI, afirmou que “o DI [design inteligente] é diferente do criacionismo bíblico no sentido de que este está fundamentado em sua visão a partir da Bíblia, enquanto o DI é uma inferência que provem da evidência científica. É possível que aquilo que aprendemos da ciência e o que a Bíblia revela sejam conceitos compatíveis.”[8]

O professor da Unicamp, Dr. Marcos Eberlin, partilha do mesmo pensamento: “O criacionismo é muito mais abrangente do que a ciência, limitada pelo seu empirismo, e não pode então ser confinado à ela. Que essa discussão se faça, então, no local devido, em aulas de filosofia e teologia, por exemplo, nas quais evidências científicas, teológicas e filosóficas possam ser debatidas conjuntamente.”[9]

Algumas perguntas frequentes

As objeções e respostas abaixo foram extraídas e adaptadas [em tamanho] do best-seller “Não tenho fé suficiente para ser ateu” (Vida, 2004), dos autores Norman Geisler e Frank Turek. Para eles, “à luz de fatos como registros fósseis, isolamento molecular, dificuldades transicionais, complexidade irredutível, mudança cíclica e limites genéticos (e o fato de que eles não podem explicar a origem do Universo ou da primeira vida), pode-se concluir que os darwinistas devem finalmente admitir que sua teoria não se encaixa diante das evidências observáveis. Em vez disso, os darwinistas ainda estão criando histórias sem substância do tipo ‘é porque é’ que realmente contradizem a observação científica. Eles continuam a insistir que a evolução é um fato, um fato, um fato!”[10]

Objeção: O projeto inteligente não é ciência.

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Dr. Marcos Eberlin, brasileiro, químico e membro da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (SBDI)

Resposta: […] a ciência é uma busca pelas causas e existem apenas dois tipos de causas: a inteligente e a não inteligente (natural). A afirmação dos darwinistas de que o projeto inteligente não é ciência está baseada em sua definição tendenciosa de ciência. Mas isso é fazer uma argumentação em círculos! Se a sua definição de ciência exclui as causas inteligentes de antemão, então você nunca considerará o projeto inteligente como ciência.

Objeção: O projeto inteligente comete a falácia do Deus das lacunas.

Resposta: A falácia do Deus das lacunas acontece quando alguém acredita erroneamente que Deus provocou o fato quando, na realidade, o fato foi causado por um fenômeno natural ainda não descoberto. As pessoas acreditavam, por exemplo, que os relâmpagos eram causados diretamente por Deus. Havia uma lacuna em nosso conhecimento sobre a natureza e, assim, atribuíamos os efeitos a Deus. Os darwinistas afirmam que os teístas estão fazendo a mesma coisa ao afirmar que Deus criou o Universo e a vida. Estariam eles corretos? Não, por diversas razões. Em primeiro lugar, ao concluirmos que a inteligência criou a primeira célula ou o cérebro humano, não o fazemos simplesmente porque carecemos da comprovação de uma explicação natural. Também é porque temos uma evidência positiva e empiricamente detectável que aponta para uma causa inteligente. Em segundo lugar, os cientistas do projeto inteligente estão abertos a causas tanto naturais quanto inteligentes. Eles não se opõem à pesquisa contínua para uma explicação natural para a primeira vida. Estão simplesmente observando que todas as explicações naturais conhecidas fracassam e que todas as evidências empiricamente detectáveis apontam para um Projetista inteligente.

Objeção: O projeto inteligente possui motivações religiosas.

Resposta: Existem dois aspectos nessa objeção. O primeiro é que algumas pessoas ligadas ao projeto inteligente podem estar motivadas pela religião. E daí? Isso faz o projeto inteligente ser falso? Será que a motivação religiosa de alguns darwinistas torna o darwinismo falso? Não, pois a verdade não reside na motivação dos cientistas, mas na qualidade das evidências. A motivação do cientista ou a sua tendência não necessariamente significam que esteja errado. Ele poderia ter um viés e ainda assim estar certo. O viés ou a motivação não é a questão principal— a verdade é que é. O segundo aspecto dessa objeção é a acusação de que os defensores do projeto inteligente não possuem evidência alguma para sua visão — estariam simplesmente repetindo aquilo que a Bíblia diz. Esse aspecto da objeção também não funciona. As crenças do projeto inteligente podem ser compatíveis com a Bíblia, mas não estão baseadas na Bíblia. Como vimos, o projeto inteligente é uma conclusão baseada em evidência empiricamente verificada, e não em textos sagrados.

Portal TDI Brasil

O portal TDI Brasil (não vinculado à SBDI) contém artigos acerca dos principais argumentos a favor do Design Inteligente. Formado por pesquisadores e profissionais de várias áreas, a contribuição multidisciplinar permite à reflexão em diversos campos, desde a ciência experimental até às implicações filosóficas do DI [em contraste com as da Teoria de Darwin].

Acesse: TDI Brasil | Facebook

Links interessantes

“O que é a Teoria do Design Inteligente?”

“Primeira publicação científica sobre Design Inteligente no Brasil”

“A teoria do design inteligente é científica”

“O Design Inteligente é mais antigo do que você pensa”

“Um modelo testável para o Design Inteligente”

“Michelson Borges entrevista o novo diretor executivo da SBDI”

“Resenha | ‘Darwin no Banco dos Réus’, de Phillip E. Johnson”

“Vídeo | O Enigma da Informação”

“Vídeo | Priviledge Species”

Referências e notas

[1] “O naturalismo filosófico ou metafísico refere-se à teoria de que a natureza é tudo 0 que existe. Não há um reino sobrenatural e/ ou intervenção no mundo. No sentido restrito, todas as formas de não-teísmo são naturalistas, inclusive o ateísmo, o panteísmo, o deísmo e o agnosticismo” (Geisler, N. Enciclopédia de apologética. Vida, 2002, p. 622).

[2] Alves, E. F. Teoria do design inteligente: evidências científicas no campo das ciências biológicas e da saúde. (E-book disponível em https://www.widbook.com/ebook/teoria-do-design-inteligente).

[3] Borges, M. Por que creio: doze pesquisadores falam sobre ciência e religião. Tatuí, SP. Casa Publicadora Brasileira, 2004, o. 185.

[4] Portal TDI Brasil, www.tdibrasil.org.

[5] Alves, p. 13-14.

[6] Johnson, P.E. Darwin no banco dos réus. 1993, p. 22.

[7] Borges, p. 187.

[8] “A teoria do design inteligente é científica”, disponível em http://www.criacionismo.com.br/2010/07/teoria-do-design-inteligente-e.html.

[9] “Michelson Borges entrevista o novo diretor executivo da SBDI”, disponível em https://engenhariafilosofica.wordpress.com/2015/01/29/michelson-borges-entrevista-o-novo-diretor-executivo-da-sbdi/.

[10] Geisler, N; Turek, F. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Vida, 2004, p. 159-160.

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