ENGENHARIA FILOSÓFICA

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Nota: A polêmica da PLoS ONE

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E o naturalismo filosófico acaba com descobertas significativas mais uma vez

Um recente artigo publicado na revista científica PLoS ONE deu o que falar nos últimos dias. A Veja, por exemplo, deu destaque em seu portal ao explicar o ocorrido: “Um artigo publicado recentemente na Plos One, uma das maiores revistas científicas de livre acesso, está sendo fortemente criticado pela comunidade científica. Na pesquisa, realizada por uma equipe de especialistas da China, a coordenação da mão humana é apresentada como um produto do ‘Criador’. ‘Em conclusão, nosso estudo pode melhorar o entendimento da mão humana e confirmar que a arquitetura mecânica é um projeto do ‘Criador‘ para o ágil desempenho de numerosas funções’”, escreveram os especialistas.”

Ainda, segundo a Veja, “os especialistas analisaram como os humanos conseguem segurar os objetos, realizando medições dos movimentos das mãos de 30 pessoas diferentes. Como resultado das pesquisas, os especialistas da Universidade Huazhong, na China, e do Instituto Politécnico Worcester, em Massachusetts, dizem no artigo que ‘a característica biomecânica do conjunto de músculos e articulações é um projeto realizado pelo ‘Criador‘ para realizarmos uma infinidade de tarefas diárias de uma maneira confortável’”.

A recepção da “comunidade científica” foi hostil. Como Veja destacou: “A publicação não foi bem recebida pela comunidade científica. Os leitores pediram que a revista se retratasse ou retirasse o artigo do ar, por explicar um fator científico utilizando a religião. ‘O artigo é incorreto e confuso. Além disso, ele não pode ser provado, logo, não pertence a uma publicação científica’, disse o biólogo evolucionista John Huelsenbeck, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, à revista Wired.

A resposta da PLoS ONE foi, no mínimo, curiosa: “Os editores da Plos One têm acompanhado as preocupações levantadas nessa publicação. Nós completamos uma avaliação sobre o artigo e recebemos auxílio de dois especialistas em nosso conselho editorial. Nossa revisão interna e os conselhos que recebemos confirmaram os problemas apontados nesse trabalho e revelaram que o processo de revisão não avaliou adequadamente diversos aspectos do estudo. À luz dos problemas indicados, os editores daPlos One decidiram retificar o artigo. As modificações estão sendo processadas e serão publicadas assim que possível. Pedimos desculpas pelos erros de supervisão que levaram à publicação da pesquisa”. [Ênfase acrescentada. Acham que somos retardados! “Aspectos do estudo”? Por favor!]

Esse episódio, além de expor a revista e autores do estudo ao ridículo (desnecessariamente), atesta para algumas verdades inerentes ao atual establishment científico. Uma delas foi categoricamente apontada pelo jornalista Michelson Borges, editor da Casa Publicadora Brasileira: “Tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos científico por apontar para a ideia de design inteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde vem sendo expulso há algum tempo.”

Independente de seu viés criacionista (qual o problema?), Borges está certo. A simples palavra de 7 letras – Criador – de maneira alguma fere ou inutiliza os resultados observados pelos pesquisadores chineses. Os dados estão lá para serem estudados, analisados e, eventualmente, replicados em estudos biomiméticos, por exemplo. Entretanto, a massa científica ideologicamente naturalista tratou de fazer o dever de casa.

O segundo aspecto (e mais curioso) destacado por Borges é quando afirma que: “Essa polêmica toda ajuda a evidenciar, mais uma vez, o preconceito arraigado em certos círculos científicos que adotaram a priori o naturalismo filosófico e se recusam a enxergar a realidade com outras lentes conceituais. O método científico foi criado por cientistas que criam profundamente no Deus criador das leis, das constantes, da complexidade irredutível, da informação complexa e específica e do design inteligente.”

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Leibniz (1646-1716)

Exato! Para dar só um exemplo, uma das mentes mais brilhantes da história da ciência não hesitava em ratificar sua compreensão de que as leis naturais eram fruto de uma mente inteligente. E isso tudo na principal revista científica alemã de sua época, Acta Eruditorum, publicação em latim de circulação europeia entre 1682-1782, que estava a pleno vapor no estudo da matemática e da física. Este era Gottfried Wilhelm Leibniz. Além de, junto de Isaac Newton, ter desenvolvido o Cálculo Diferencial e Integral, Leibniz abordava em seus artigos problemas em astronomia, geometria, óptica e outros. Foi através de seus artigos na Acta Eruditorum que desafiou a notação para derivadas de Newton (e triunfou), numa Europa dividida sobre qual grande gênio seguir na guerra do Cálculo (Leibniz ou Newton). Algumas de suas citações seriam consideradas polêmicas para os moldes de hoje. Confira alguns trechos traduzidos do latim para o inglês (17centurymaths.com):

“A SHORT DEMONSTRATION OF A NOTEWORTHY ERROR of the Cartesians and Others about a Law of Nature, according to which the same Quantity of Motion is to be conserved by God always ; and where such Quantities are used up in Mechanical Devices.” (G.W. LEIBNIZ : A Short Demonstration of a Noteworthy Error….; Response of the Abbé de Catelan….; Concerning the Isochronous curve….. Transl. with notes by Ian Bruce, 2014)

“Therefore we have reduced all the proven experimental laws of rays to pure geometry, and the calculation, with a single principle used, with an assumed final cause, if you may consider the matter correctly: for neither does the ray going out from C determine, how it may be able to arrive most easily to the point E, D, or G, nor how it may be referred by these points to that one ; but the Creator of things thus created light, so that from its nature that most beautiful event could arise. And thus they err greatly, which I shall not say more seriously, who reject with Descartes the final causes in physics;[…]” (G.W. LEIBNIZ : OPTICS, CATOPTRICS AND DIOPTRICS FROM A SINGLE PRINCIPLE From Actis Erud. Lips. 1682. Transl. with notes by Ian Bruce, 2014)

“Again with minimal natural science it may be seen, neither indeed with machines worthy of God, can intelligent people assign the special directions of the journey made by the stars, as if by God the same reckonings required to be completed may be missing from the bodily laws;[…]” (G.W. LEIBNIZ : AN ATTEMPT TO EXPLAIN THE CAUSES OF CELESTIAL MOTIONS. From the Actis Erudit. Lips.1689; Transl. with notes by Ian Bruce, 2014)

As ênfases em God e Creator foram acrescentadas, justamente para destacar que, independente do que significam os parágrafos retirados dos artigos [científicos], Leibniz não tinha problemas em expor suas conclusões, baseadas em suas descobertas, em uma publicação científica. Os leitores da época, como Euler, Newton, Lagrange (que era ateu), Huygens e outros gigantes não faziam escarcéu por causa de afirmações como estas. Palavras como “God” e “Creator” agradavam a uns, a outros não. E, apesar disso, o trabalho de Leibniz jamais fora desclassificado, muito menos “retificado”. Antes, estavam interessados, primariamente, em exercer ciência. Diferente da PLoS ONE.

Jônatas Duarte Lima

Confira a resposta do Discovery Institute.

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2 comentários em “Nota: A polêmica da PLoS ONE

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Publicado às 6 de março de 2016 por em Ciência e marcado .
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