ENGENHARIA FILOSÓFICA

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Engenharia reversa revela design de propulsão ideal?

reverse_engineering_bird_wide1Em uma recente análise de como dezenas de espécies propulsionam seus corpos através do ar e da água, uma equipe de colaboradores encontrou não apenas design ideal, mas, também, design comum.[1]

Para que possam se propulsionar com sucesso através do ar ou água, os animais precisam possuir estruturas capazes de produzir impulso. Pássaros voam graciosamente, e peixes e baleias deslizam pela água de forma não forçada, com movimentos fáceis. Asas e barbatanas parecem se encaixar de maneira tão precisa aos ambientes destes animais que um observador poderia deduzir que esses apêndices foram projetados para realizarem um impulso eficiente no ar e na água, respectivamente.

Um novo e perspicaz relatório dos pesquisadores, que representam Roger Williams University, Providence College, Indiana University-Bloomington, o Marine Biological Laboratory, California Institute of Technology, Harvard e Texas A&M-Galveston, aplica análises de engenharia às complexas maneiras que animais se movem em um ambiente fluido. A equipe estudou indivíduos animais de 59 espécies diversas e seus resultados foram publicados em Nature Communications.[1]

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Engenharia reversa revela estrutura, forma e performance de propulsão ideais

Utilizando de engenharia reversa, os autores do estudo descobriram que todas as diferentes criaturas se propulsionam usando a mesma mecânica básica.[2] O pesquisador Nathan Johnson, da Texas A&M-Galveston, comentou ao Houston Chronicle sobre as surpreendentes descobertas: “Descobrimos que insetos, pássaros, morcegos, baleias, peixes, golfinhos, [e] até moluscos menores utilizam todos da mesma mecânica básica.”[3] Os resultados mostraram que, “a comparação das sequências de vídeo… para 59 espécies animais demonstra claros, replicáveis padrões de flexão propulsora da envergadura durante o movimento constante, que são semelhantes em uma ampla gama de tamanhos de animais, meios fluidos e grupos taxonômicos.”[1]

A equipe estava preparada para realizar medições das estruturas de propulsão dos organismos. Ao contrário das superfícies das asas e lemes artificiais, as asas e nadadeiras dos animais flexionam intencionalmente em um determinado lugar como parte da ação propulsora durante cada fase do movimento. A análise de engenharia reversa dos pesquisadores surpreendentemente mostrou que, para todas as espécies estudadas, a asa ou nadadeira flexionaria essencialmente no mesmo local, que estava em cerca de dois terços do caminho em direção à ponta.

Medições adicionais demonstraram que o grau máximo de curvatura para as asas ou nadadeiras também foi muito próximo para todas as espécies, com uma média de cerca de 26 graus. Um gráfico da distância da dobra versus o grau de flexão pareceu ainda mais semelhante a todas as espécies. Os padrões de movimento incrivelmente comparáveis de asas e barbatanas em organismos muito diferentes é bastante notável uma vez que esses recursos são compostos de diversos materiais e construídos de algumas maneiras fundamentalmente diferentes.

Uma análise mais aprofundada identificou que o ponto e o grau de flexão comum para estes diferentes organismos correspondem também à produção mais eficiente de impulso em termos de energia. Testes de fluido dinâmico revelaram que o grau de flexão na concepção destas estruturas propulsoras aprimorou grandemente a circulação de água ou ar que vêm das pontas das asas ou aletas (chamado “circulação de vórtice”), o que também reforça as pressões axiais. Os autores do estudo escreveram que, “circulação de Vortex, a produção e eficiência de impulso variam com flexibilidade, sugerindo que a flexibilidade dos propulsores animais pode ser ajustada para maximizar a produção e eficiência de impulso, ao controlar a vorticidade associada à flexão de propulsão.”[1]

A engenharia reversa neste estudo destaca-se claramente, mas, na realidade, a descoberta de toda a função biológica é essencialmente engenharia reversa. Se a análise de engenharia pode esclarecer função biológica, então por que não tentar usá-la para explicar a origem dessa função?

Explicações para a origem da estrutura de propulsão ideal: místico versus design

Então, como é que uma grande variedade de grupos de animais veio a possuir perfeita flexibilidade em suas asas e barbatanas que otimiza seu vôo e nado?

Johnson disse ao Houston Chronicle: “A melhor razão para pensarmos o motivo de essas semelhanças existirem na natureza é que elas são as mais eficientes em termos energéticos.”[3] Embora eles tenham usado análise de design para descobrir funções, os autores do estudo, aparentemente, eliminaram a possibilidade de um Designer como a causa destas similares e energeticamente eficientes estruturas em diversos organismos. Seria por causa de pressuposições evolucionárias?

Remover Deus como uma causa deixa os evolucionistas na posição de explicar estruturas que são claramente baseadas em inteligência sem invocar uma causa inteligente. Sempre que isto acontece, eles apelam a um agente mágico, onipotente, em algum lugar na natureza. O Houston Chronicle reportou que, “A fórmula mágica da física está propelindo animais em todo o planeta, de aves e tubarões às águas-vivas, de acordo com uma nova descoberta por pesquisadores da Texas A&M Univeristy [sic].”[3]

Em seu relatório à Nature Communications, a equipe ponderou: “Qual(ais) fator(es) dirigiu(iram) a seleção natural a convergir para a altamente restrita cinemática de flexão através de uma ampla gama de grupos de animais?”.[1] Eles especularam que a seleção natural foi levada a convergir em designs similares por uma questão de eficiência energética. Isso inevitavelmente leva a afirmar um substituto para o real Criador: O estudo “mostra quão avançados os projetos da Mãe Natureza são quando comparados com a engenharia humana”, escreveu o Chronicle. “Os cientistas esperam que a descoberta ajude a tecnologia a alcançar os milhões de anos de evolução.”[3]

Invocar a “magia” e “Mãe Natureza” irracionalmente afasta a clareza da análise de engenharia movendo em áreas fora da detecção pelos sentidos ou instrumentos humanos e além do reino da compreensão humana.

Em contraste, em 1802, William Paley, um pioneiro de explicações baseadas em design, comparou coisas vivas com máquinas de engenharia humanas. Ele postulou que as origens de características semelhantes em diversas criaturas poderia ser explicada na maneira que projetos humanos de máquinas são copiados e exclusivamente modificados para usos semelhantes.[4]

Dr. Henry Morris atribuiu design a um designer real, escrevendo: “No reino orgânico existem muitas semelhanças entre diferentes tipos de plantas e animais… Criacionistas interpretam semelhanças como evidências de planejamento criativo comum e design… Criacionistas as explicam como estruturas projetadas pelo Criador para fins específicos, e que, quando efeitos similares foram envolvidos, foram criadas estruturas semelhantes.”[5]

As explicações de Paley e Morris são consistentes com a análise de engenharia do grupo de pesquisa da Nature Communications e apontam para observações cotidianas da origem do design. Estas explicações, também, legitimamente atribuem crédito para o projeto ideal e comum em criaturas para o seu Criador.

(Dr. Randy J. Guliuzza, ICR)

Referências

[1] Lucas, K. N. et al. 2014. Bending rules for animal propulsion. Nature Communications. 5:3293.

[2] Reverse engineer. transitive verb. To disassemble and examine or analyze in detail (as a product or device) to discover the concepts involved in manufacture usually in order to produce something similar. Merriam-Webster. Posted on merriam-webster.com, accessed March 13, 2014.

[3] Alexander, H. A&M study finds magic formula of physics moves every kind of animal on earth. Houston Chronicle. Posted on chron.com February 20, 2014, accessed March 14, 2014.

[4] Paley, W. 1802. Natural Theology: or, Evidences of the Existence and Attributes of the Deity, Collected from the Appearances of Nature, 2nd ed. London: R. Faulder, chapter xii, 227-258.

[5] Morris, H. 1974. Scientific Creationism. San Diego, CA: Creation-Life Publishers, 69-70.

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Publicado às 12 de outubro de 2015 por em Argumento Teleológico, Design Inteligente, Engenharia e marcado , , .
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