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O cúmulo do relativismo moral (quando não der pra abortar, mate o recém-nascido mesmo!)

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Um artigo da “loucademia” de ética médica

Nem sei como começar este post.

The Telegraph (Reino Unido) publicou em 17/04 a matéria com o título perturbador “Killing babies no different from abortion, experts say”, ou seja, literalmente “Matar bebês recém-nascidos não é diferente do aborto, experts afirmam”. Só o título já é digno do post inteiro. Mas vamos por partes.

Stephen Adams, do Telegraph, apresenta um artigo publicado pela Universidade de Oxford, no qual um grupo de especialistas em ética médica argumenta que “os pais deveriam ter o direito de ter seus filhos mortos [assassinados] por serem ‘moralmente irrelevantes’, e acabar com a vida deles não difere do aborto”. O artigo tem o título “After-birth Abortion: Why should the baby live?”, ou seja, “Aborto pós-parto: Por que o bebê deveria viver?”, e foi escrito por Alberto Giubilini e Francesca Minerva. O editor do jornal acadêmico que publicou o tal artigo, o Prof. Julian Savulescu, é também o diretor do Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics (Centro Uehiro de Ética Prática de Oxford).

A [primeira] parte cômica da matéria está na afirmação do Prof. Savulescu; segundo ele, desde que o artigo foi publicado os autores têm recebido maus tratos [tadinhos…] e que aqueles que tem feito ofensas e abusos sobre o artigo são “fanáticos que se opõem aos valores de uma sociedade liberal”. Pergunto-me: se os pais do tal Prof. Savulescu tivessem se perguntado “Por que o Savulesquinhu deveria viver?” seríamos poupados de artigos como este? Como diria Ronald Reagan, todos aqueles que são favoráveis ao aborto [e esse novo “aborto pós-parto”] realmente nasceram.[1]

As atrocidades não param por aí. É a vez dos autores se defenderem [ou seja, de falarem as besteiras].

Eles argumentam: “Ambos feto e recém-nascido são seres humanos e pessoas em potencial, mas nenhum deles é uma ‘pessoa’ no senso de serem ‘objeto de um direito moral à vida'”. Gostaria de perguntar aos autores o que faz um bebê ter direito moral à vida; aliás, se há algum estágio definido pra isso. Sei lá, talvez ao completar 33,7 dias de vida? Ou ao completar 47 litros de leite mamados? Fica a incógnita. Mas não duvidaria de uma resposta estapafúrdia a essa altura.

É o cúmulo para um grupo de especialistas que deveria defender a vida, ao invés de promover a morte, deliberadamente, em prol da subjetividade humana mais mesquinha.

Entre um argumento absurdo e outro, eles afirmam que os pais deveriam poder matar o bebês caso acontecesse de este nascer com alguma deficiência, sem que os pais o soubessem com antecedência. Por exemplo, citam que “apenas 64% dos casos de síndrome de Down” na Europa são diagnosticados nos exames pré-natal [lembrou deste caso? clique]. Para concluir esse absurdo, eles dizem: “Trazer [à vida] uma criança assim poderá ser um fardo para a família e à sociedade como um todo, uma vez que o Estado provê economicamente seus tratamentos”. É, chegamos ao fundo do poço. As cortinas se abrem. Antes de dar o valor à vida, melhor pensarmos em assassinar o fardo e garantir o dinheiro do Estado.

Mais duas pérolas pra fechar com chave de ouro.

A primeira, é uma brincadeira de semântica [nada] divertida. Eles dizem preferir o termo “aborto pós-parto” em vez de “infanticídio” para enfatizar que o status moral do indivíduo assassinado é comparável ao do feto. “Status moral” já é demais. Na defesa dos seus interesses e gostos pessoais, o homem que pratica o relativismo moral fala barbaridades. Além do mais, eles estão se apoiando na palavra “feto” que é tão somente “pequenino”. Então já sabemos que “pequenino” não tem direitos morais. Esquecem do significado de ‘valor intrínseco’ e ‘direito à vida’ de todo e qualquer ser humano.

William Lane Craig afirma categoricamente:

“Aqueles que negam que o pequenino (feto) no ventre é um típico ser humano confundem ‘ser humano’ com ‘existir (ser) em algum estágio posterior do desenvolvimento’. […] De fato, um embrião não é um bebê, mas isso não significa que um embrião não seja um ser humano. Todas essas fases representam os vários estágios do desenvolvimento humano, e é completamente arbitrário remover um estágio, afirmando que o feto não é um ser humano por não se encontrar em um estágio posterior.”[2]

A segunda fecha o espetáculo de absurdos e, por fim, mostra realmente o porquê da luta pelo aborto e do infanticídio deliberado. Segundo a matéria, o que os autores Minerva e Giubilini fizeram foi argumentar “em consideração aos interesses maternos e da família”. Emocionante. Heróis. Acontece que quando o assunto é moralidade e vida, a palavra “interesse” não vale nada. O que vale é a verdade no sentido objetivo e absoluto da palavra. Esse desacordo acontece simplesmente por que pessoas como os autores do artigo suprimem os valores morais existentes para tentarem justificar aquilo que elas querem fazer.

Ah, verdade! Não poderia deixar de comentar o título. Aliás, só o final dele: “Matar bebês recém-nascidos não é diferente do aborto, experts afirmam“. Convenhamos: “experts“?! Experts em assassinato covarde em último grau? Cansei.

Quero finalizar com uma citação simples dos autores Norman Geisler e Frank Turek:

“De fato, todos os favoráveis ao aborto [e aqui acrescento ao “aborto pós-parto”] se tornariam imediatamente a favor da vida caso se vissem de volta ao ventre materno. Sua reação à possibilidade de serem mortos serviria de alerta ao fato de que o aborto é realmente errado. Naturalmente, a maioria das pessoas, lá no fundo do coração, sabe que uma criança não nascida é um ser humano e, portanto, sabe que o aborto é errado.”[1]

Jônatas Duarte Lima

Referências

  1. GEISLER, N; TUREK, F. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida, 2006, pág. 191.
  2. CRAIG, W. L. Apologética para questões difíceis da vida. Editora Vida Nova, 2010, pág. 127.

Nota: Obviamente que este não é o post mais completo sobre o tema, porém apenas sobre a matéria do Telegraph. Para mais sobre o tema, indico as referências do texto.

Confira também este post.

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Um comentário em “O cúmulo do relativismo moral (quando não der pra abortar, mate o recém-nascido mesmo!)

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Publicado às 2 de maio de 2015 por em Moralidade e marcado , .
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