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Resenha | “Cristianismo Puro e Simples”, de C.S. Lewis

cristianismo puro e simplesHoras antes de preparar esta resenha, ouvia ao podcast do CrossExamined.org, no qual Frank Turek falava acerca do mal e da moralidade absoluta/objetiva. Em dado momento, ao citar trechos de “Cristianismo Puro e Simples” (Mere Christianity, no original), ele categoricamente – e até comicamente – afirmou:

“…esta citação está em ‘Cristianismo Puro e Simples’, de C.S. Lewis; aliás, se você nunca leu este livro, considere-se não ter sido educado [soando quase um ‘não-alfabetizado!]; é simplesmente um dos melhores livros já escritos em todos os tempos.”

Sou obrigado a concordar plenamente.

Ao concluir a leitura deste clássico (há alguns instantes), do qual algumas citações já conhecia e havia até feito uso, fica difícil discordar de Frank Turek. Aliás, fica fácil entender por que alguns conhecidos/amigos ao descobrirem que eu ainda não o havia lido bradavam: “como assim?!” Bronca justa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a BBC convidou C.S. Lewis para fazer uma série de palestras pelo rádio. Essas palestras viriam a tornar-se, algum tempo depois, o clássico livro em questão, porém ajustado por Lewis para ser apresentado na forma impressa.

Vale lembrar que C.S. Lewis, nascido em 1898, na Irlanda, foi ateu até 1929, quando se converteu ao cristianismo. Professor de Literatura em Cambridge, Lewis tem um vasto legado na apologética cristã; além de “Cristianismo Puro e Simples”, “A Abolição do Homem”, “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”, “Milagres” e “O Problema do Sofrimento” são os outros da [minha] lista. Ah, claro, não podemos esquecer de “As Crônicas de Nárnia”, que apresenta o cristianismo numa abordagem fictícia.

O livro

Separado em 4 partes (Livro I, Livro II, Livro III e Livro IV), Lewis apresenta tudo que é de mais essencial e profundo na cosmovisão cristã, sem perder “a graça” ou precisar que o leitor tenha cursado Filosofia ou Teologia. Poderia ser intitulado tranquilamente como “Cristianismo para Leigos” [for Dummies] ou “Por que ser Cristão é a melhor escolha”.

Começando pelos temas filosóficos mais essenciais e discussões comuns acerca da moralidade, do certo e errado, da existência de Deus e etc., Lewis caminha com o leitor ao longo do livro para temas cada vez mais elevados. É impressionante perceber, já no Livro IV, sobre a maneira magistral que se foi levado a considerar e refletir acerca dos temas ali apresentados. Estou me segurando para não revelar spoilers.

Como ex-ateu, Lewis consegue se identificar com as questões mais íntimas do leitor agnóstico e levá-lo a considerar o cristianismo como racional e plausível; como cristão, ele chama seus irmãos a, de uma vez por todas, entenderem o cristianismo, em sua essência, enquanto filosofia de vida, enquanto verdade e suas implicações práticas (e eternas!).

A cada capítulo é um novo insight do autor, que justamente requereriam um bom tempo para reflexão; logo, mais grifos com o lápis que precisa ser apontado e mais pessoas à mente que precisa presentear com esta pérola.

Meu(s) destaque(s)

Muito, mas muito difícil destacar algum conceito ou capítulo específico, haja vista que o livro está praticamente todo amarelo de tantos grifos que fui “obrigado” a fazer. Entretanto, sinto-me impelido a registrar aqui o impacto que os capítulos sobre a (10 e 11, Livro III) e O tempo além do tempo (3, Livro IV) – sem contar os cap. 6, 7, 8 e 9 do Livro IV – causaram-me ao lê-los. Repito que tende ao impossível selecionar preferências; toda a obra é por demais primorosa para ser injustamente classificada num ranking.

O ponto fora da curva “justificável”

Faço apenas uma observação, de cunho criacionista e por consequência bíblico: o autor, infelizmente influenciado pelo forte crescimento da filosofia naturalista da época, ainda que revestida de “ciência” (como ainda podemos ver hoje), acabou levando-se pelos equívocos da teoria da evolução [lê-se macroevolução], quando que por alguns momentos utilizou-se deste meio para exemplificar alguns conceitos (no capítulo 11, Livro IV, que termina belamente, porém o início do capítulo é comprometido pelas comparações com a teoria evolucionista).

Em defesa do autor, como cidadão do início do Século XX, ainda que um abençoado cristão e sobremaneira culto, foi exposto à má ciência evolucionista da época, da qual hoje há material vasto para ser refutada, seja no campo da teologia, filosofia ou da ciência. Fica fácil enxergar, através de uma leitura leal e compassiva, que Lewis fala dentro de seu conhecimento disponível para seus dias e que, em nenhum momento, duvida do poder criador e mantenedor de Deus.

Leitura obrigatória!

Minha torcida é que você, caro leitor, realmente leia “Cristianismo Puro e Simples”. Há motivos totalmente compreensíveis para que, após 60 anos, este livro permaneça um Best Seller.

Mais exaltada ainda é a maneira que Deus usou um ex-ateu para pregar, de forma tão pura e tão simples – sem trocadilhos – sobre as verdades mais profundas de Sua Natureza e de Seu Amor.

Jônatas Duarte Lima

Ficha Técnica
“Cristianismo Puro e Simples”
Páginas: 300
Editora: Martins Fontes

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4 comentários em “Resenha | “Cristianismo Puro e Simples”, de C.S. Lewis

  1. Juliana
    16 de maio de 2015

    Olá! Não sei se este post já feito, mas caso não tenha sido, você poderia por fazer, fazer uma matéria sobre os livros que todo cristão deveria ler? Livros que falem ao coração. Seria enriquecedor! Obrigada!

    Curtido por 1 pessoa

    • jonatasdlima
      16 de maio de 2015

      Olá Juliana,

      Muito obrigado pelo comentário!
      Este post ainda não foi feito. Farei com muito prazer. Logicamente, a lista acabará ficando ‘limitada’ aos títulos que já li, mas prometo também indicar ao final outros que sei que são excelentes.

      Continue acompanhando o blog que, logo mais, este post estará disponível!

      Tenha um sábado feliz,

      Jônatas.

      Curtir

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Publicado às 1 de maio de 2015 por em Livros, Resenhas e marcado , , , .
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