ENGENHARIA FILOSÓFICA

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Jesus realmente existiu?

jesus-histórico-catequese-do-leigoEste post dedica-se a muitos que infelizmente não tiveram a oportunidade de contemplar argumentos sólidos acerca da historicidade de Cristo, sob as lentes do estudo da história, arqueologia e outras. Infelizmente, há muitos que advogam o ateísmo ou outras religiões por não obterem o conhecimento do real nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus há cerca de 2.000 anos, o que implica na aversão prévia à mensagem cristã e suas doutrinas.

Para tanto, pretendo, de forma breve, expor os principais argumentos sobre a historicidade de Cristo, de forma a instigar o leitor a buscar as fontes citadas e contemplar mais evidências em suas pesquisas particulares. Sendo assim, os aspectos proféticos, doutrinários e teológicos deverão ser objeto de estudo em posts posteriores.

Há testemunho antigo sobre Jesus, além da Bíblia?

Sim. A resposta afirmativa a essa pergunta, inclusive, apareceu até em uma matéria do Exame.com recentemente (apesar dos equívocos), e segundo este “isto não é mais mistério para a ciência”. Ou seja: sim, houve um Jesus histórico. Entretanto, a resistência de muitos está no engano de achar que Jesus é personagem apenas da Bíblia e que não há outros autores fora dela, até mesmo não-cristãos, que afirmem, num período de 100 a 200 d.C, que:

  1. Jesus viveu durante o tempo de Tibério César;
  2. Ele viveu uma vida virtuosa;
  3. Realizou maravilhas;
  4. Teve um irmão chamado Tiago;
  5. Foi aclamado como Messias;
  6. Foi crucificado a mando de Pôncio Pilatos;
  7. Foi crucificado na véspera da Páscoa judaica;
  8. Trevas e um terremoto aconteceram quando ele morreu;
  9. Seus discípulos acreditavam que ele ressuscitara dos mortos;
  10. Seus discípulos estavam dispostos a morrer por sua crença;
  11. O cristianismo espalhou-se rapidamente, chegando até Roma;
  12. Seus discípulos negavam os deuses romanos e adoravam Jesus como Deus.[1]

Muito pelo contrário: as citações acima aparecem em relatos de 10 autores não-cristãos que mencionam Jesus num período de até 150 anos depois de sua morte. Essas fontes são especificamente: Flávio Josefo (historiador judeu), Tácito (historiador romano), Plínio (político romano), Flegon (escravo liberto que escrevia histórias), Talo (historiador do século I), Suetônio (historiador romano), Luciano (satirista grego), Celso (filósofo romano), Mara Bar Serapion (cidadão reservado que escrevia para seu filho) e o Talmude judaico.[1][2]

Achou pouco? O mais incrível é que não é. O próprio Tibério César, o imperador romano dos tempos de Jesus, naqueles mesmos 150 anos é citado por 9 fontes não-cristãs.[3] Ou seja, há pelo menos uma fonte não-cristã a mais que cita Jesus em um período de 150 anos! Se incluirmos as fontes cristãs o resultado é absurdo: Jesus tem 43 citações, enquanto César, 10. Alguém duvida que existiu um Tibério César?

A confiabilidade do Novo Testamento: Manuscritos

Quanto ao Novo Testamento (NT), alguns podem duvidar de sua historicidade, que, se confirmada, também serve de referência histórica precisa sobre a vida de Cristo.

Quanto à quantidade de manuscritos, pelo menos até 2006 havia cerca de 5.700 manuscritos gregos do NT escritos à mão.[2] Isso sem contar mais de 9.000 manuscritos em outras línguas. Além disso, outras obras do mundo antigo, das quais a dúvida não é tão latente como o NT, possuem bem menos manuscritos. Ilíada, de Homero, por exemplo, é a segunda colocada com apenas 643 manuscritos.

Além da quantidade, o NT também “ganha” pelo que chamo aqui de “idade relativa”. Um manuscrito historicamente comprovado que data de entre 117-138 d.C, de passagens de João, é arqueologicamente mais “confiável”, se avaliarmos pelo quesito tempo. Uma vez que Jesus morreu em 33 d.C e Jerusalém foi destruída em 70 d.C, isso nos dá uma idade relativa de cerca de 85 anos, contando da morte de Cristo. Obviamente, estes manuscritos, que não são os originais, são de longe os comprovadamente mais antigos, ganhando “de lavada” de obras de Homero, Desmóstenes, Heródoto, Platão, Tácito, César e Plínio. Heródoto, por exemplo, têm seus manuscritos mais recentes datados de 1.400 anos após sua provável publicação original.[1]

Além das passagens de João citadas, há pelo menos mais 9 manuscritos discutíveis, ainda mais antigos, também descobertos por John Rylands. Estes, encontrados junto aos fragmentos do Mar Morto, datariam de 50-70 d.C, diminuindo a idade relativa mínima encontrada para apenas 27 anos (contando da morte de Jesus).[1][2]

A confiabilidade do Novo Testamento: 2015 começou bem

Conforme publicação feita pelo EF em 21 de janeiro de 2015, via portal UOL Ciência, um grupo de mumia_marcosscientistas encontrou a cópia mais antiga do Evangelho em um papel papiro reutilizado para construir a máscara de uma múmia egípcia. O achado foi revelado à Agência Efe Craig Evans, doutor em Estudos Bíblicos e um dos responsáveis pela descoberta.

Trata-se de um fragmento do Evangelho de São Marcos, localizado há três anos e que, agora, especialistas da Universidade Evangelista de Acadia, no Canadá, consideram como o primeiro manuscrito do Novo Testamento da Bíblia de que se tem conhecimento. Os cientistas acham que a origem do papiro remonta o primeiro século de nossa era, entre o ano 80 e 90 d.C., o que representa uma grande novidade. Até então, as cópias mais antigas datavam do século II depois de Cristo (como explicado no parágrafo anterior). Esse evangelho é uma das centenas de documentos que estão sendo analisados pela equipe de Evans, composta por mais de 30 especialistas.

A confiabilidade do Novo Testamento: Precisão

Será que o registro do NT sobre Jesus é preciso? Não teriam sido as cópias atuais, que já datam de 2.000 anos, deturpadas por copistas de má fé e erros grotescos gramaticais e ortográficos? E as doutrinas, se mantiveram intactas? Essas são perguntas justas, e para todas a resposta é “sim, temos cópias muito confiáveis do NT”. A própria propagação exponencial dos relatos do NT permitiu que os escribas dos primeiros séculos fossem cuidadosos quanto às cópias. A comparação da reconstrução dos manuscritos permite garantir a precisão e cuidado dos copistas. Os especialistas em texto Westcostt e Hort estimam que há apenas uma em cada 60 variantes encontradas nas reconstruções, que são basicamente de natureza estritamente gramatical (pontuação e ortografia). Isso significa um texto de 98,33% de grau de pureza![2] Nenhum outro livro antigo é tão bem autenticado.

A Arqueologia e o Novo Testamento

Muitos elementos da narrativa bíblica têm sido comprovados e, por consequência, a vida de Jesus e sua sociedade contemporânea. Por exemplo, o ossuário de Caifás, sumo sacerdote que presidiu o julgamento de Jesus, líder do Sinédrio entre 18 d.C e 36 d.C, foi encontrado por acidente em novembro de 1990, quando trabalhadores estavam construindo um parque aquático na Floresta da Paz em Jerusalém, que fica ao sul do monte do Templo.[4] Restos arqueológicos de crucificações, o Tanque de Siloé, o Tanque de Betesda e a Inscrição de Soregue são algumas das descobertas arqueológicas que comprovam o pano de fundo social, político e histórico, registrado no NT, dos tempos de Jesus.[4]

Particularmente, sobre o Tanque de Betesda, Lee Strobel cita que os céticos, há muito tempo, citavam este local como um exemplo de imprecisão de S. João, pois nenhum lugar assim havia sido encontrado (o Tanque de Betesda, conforme João 5:1-15, tinha cinco pórticos). Todavia, recentemente o tanque foi escavado e os cientistas descobriram cinco pórticos ou galeiras com colunas exatamente conforme João havia descrito![5][6]

O ossuário de Tiago

De todas as evidências arqueológicas, a mais interessante é, sem dúvida, o ossuário de Tiago, que teve, finalmente, sua veracidade confirmada em 2010, após anos de debate (desde 2004) e pesquisa intensa.

A descoberta, feita em 2002 pelo engenheiro judeu Oded Golan, pesa 25 quilos, tem 50 centímetros de comprimento por 25 centímetros de altura.

A discussão, que durou praticamente 5 anos junto à Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), girava em torno de uma caixa mortuária com os dizeres “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. Toda esta discussão consistia em admitir-se, através dos processos científicos de datação, se as inscrições “Tiago, filho de José” e “irmão de Jesus” eram legítimas e se datavam do mesmo século, não sendo objeto de alguma falsificação posterior. Em outubro de 2010, porém, o juiz Aharon Far¬kash, responsável por julgar a suposta fraude cometida pelo antiquário judeu, encerrou o processo e acenou com um veredito a favor da autenticidade do objeto.

Sendo assim, esta inscrição confirma, no mínimo, as duas afirmações bíblicas sobre o pai de Jesus, José, e seu irmão, Tiago. Além disso, é claro, reforça-se a existência do Jesus histórico.

Para uma leitura mais completa sobre esta descoberta, confira este post do blog Criacionismo. Ouça, também, essa entrevista do jornalista Michelson Borges concedida à Rádio Novo Tempo à época, sobre o tema.

Conclusão

Este post, como disse no início, trata-se apenas de um esboço do tema, que é longo. Obviamente, para realizar-se um estudo mais profundo, é importante a consulta, por exemplo, das referências citadas. É de se notar, porém, que as evidências histórias e arqueológicas da vida, morte e ressurreição de Jesus, bem como da veracidade dos relatos do Novo Testamento, demonstram que o Cristianismo não é só mais uma “história da carochinha”, mas, sim, que trata-se de eventos históricos, comprovados por artefatos e relatos confiáveis.

Jônatas Duarte Lima

Referências

  1. GEISLER, N. TUREK, FRANK. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Vida Acadêmica. 2006.
  2. GEISLER, N. Enciclopédia de apologética. Vida. 2002.
  3. HABERMAS, G. LICONA, M. The case for the resurrection of Jesus. 2004.
  4. Uma tabela muito interessante sobre importantes descobertas arqueológicas relacionadas com o NT pode ser consultada em Randall Price, Arqueologia Bíblica. A primeira edição data de 1997, e outras descobertas arqueológicas mais recentes complementam o argumento histórico de Jesus e do NT.
  5. STROBEL, L. Em defesa de Cristo. Editora Vida, 2001.
  6. ZACHARIAS, R. GEISLER, N. Quem criou Deus?. Editora Reflexão, 2014.
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2 comentários em “Jesus realmente existiu?

  1. Ivani Medina
    12 de agosto de 2015

    Por que essa história continua na penumbra? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão. http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    Curtir

    • jonatasdlima
      5 de outubro de 2015

      Olá Ivani,
      Obrigado pelo comentário e desculpe a demora em responder (sérias limitações de tempo). Confesso que não consegui atentar ao seu texto todo, porém irei fazê-lo assim que possível. Convido-o a termos um debate sadio sobre o tema, enviando-nos um e-mail (clique em “contato”, ao lado).
      Tenha uma ótima semana,
      Jônatas.

      Curtir

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Publicado às 18 de fevereiro de 2015 por em Arqueologia, História e marcado , , .
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