ENGENHARIA FILOSÓFICA

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Resenha | “A Morte da Razão”, de Ravi Zacharias

22484473Aproveitando as férias, época mais que perfeita para por a leitura em dia, li a obra “A Morte da Razão: Uma Resposta aos Neo-Ateus”, do apologista internacionalmente conhecido Dr. Ravi Zacharias. O livro consiste em uma resposta direta às obras do neo-ateu militante Sam Harris, “A morte da fé” e “Carta a uma nação cristã”, e está dividido em apenas três partes; prefácio, feito por Lee Strobel, prólogoA morte da razão, esta em forma de carta, como crítica estilizada às obras de Harris.

A forma de carta do texto de Zacharias permite que o texto final seja de fácil entendimento e sua leitura de passo tranquilo, sem haver a necessidade de se recorrer a fontes auxiliares, independente do nível de conhecimento apologético do leitor.

No início da carta, Zacharias conta de maneira muito interessante e íntima sua transição da cosmovisão ateísta para a teísta, seu contato com as diversas religiões do mundo e sua conversão ao cristianismo.

Na sequência, Zacharias explora as questões filosóficas fundamentais, sempre em comparação às afirmações de Harris. O resultado é primoroso e, à medida que as cosmovisões de Zacharias e Harris são contrapostas, fica evidente que as reivindicações de Harris mais atrapalham do que ajudam. Veja este trecho da página 32, quando comenta sobre o Sentido da vida:

“Se a vida é um acidente, então a consequência inevitável, primeira e principalmente, é que não pode haver significado nem propósito superior para a existência. Essa consequência é o tendão de aquiles existencial do credo ateísta. Individual e coletivamente, como civilização, nós, seres humanos, almejamos por sentido. Se, porém, a vida é fruto do acaso, nós subimos os degraus da escala evolucionista só para não encontrar nada no final.”

Em ritmo tranquilo e deveras reflexivo, Zacharias demonstra que questões como prazer, felicidade e verdade persistem como temas que exigem real entendimento, uma vez que a sociedade atual, infelizmente, trata de distorcer estas questões com filosofias frívolas e inconsequentes.

Com a base filosófica já bem definida, o autor tem a liberdade suficiente para levar o leitor a refletir acerca da moralidade, sofrimento e liberdade. Estes temas, recorrentemente utilizados por ateus como ferramenta de refutação à existência de Deus, acabam por se mostrar verdadeiras evidências do contrário: que há um legislador moral Superior, que o sofrimento (mal) implica na existência do bem (Deus) e que a liberdade nossa depende destas verdades inter-relacionadas. Sem querer revelar mais spoilers, veja o que diz na página 44:

“Os ateus não podem ter ambas as possibilidades. Se o assassínio de inocentes é errado, é errado não porque a ciência diz que é errado, mas porque toda vida tem dignidade intrínseca — um postulado que não se pode deduzir do ateísmo. Não há meio de Harris, como ateu que é, alegar preferências morais a não ser seu próprio método subjetivo, isto é, sua preferência individual ou seu meio. Não se podem fazer declarações absolutas sobre um assunto com base nas próprias emoções. Esse fato explica exatamente por que os escritores do seu gênero no sistema de referência do naturalismo reconhecem que o raciocínio moral não faz sentido sem Deus. Seus jogos de palavras filosóficos não são nada mais que uma tentativa de evitar o incômodo disparate a que são levados.”

Faço grande destaque para a seção em que trata-se sobre a questão da Esperança. A maneira que Ravi demonstra, de forma racional, a necessidade humana de entender seu fim último, e as vantagens da cosmovisão teísta-criacionista sobre o ateísmo-evolucionista, é simplesmente maravilhosa, e uma vez que a essa altura o autor fez uso das evidências científicas e morais e uma análise sociológica contemporânea, fica evidente a necessidade humana de “algo mais”.

Caminhando para o final do livro, Zacharias aborda temas como justiça, a veracidade de Cristo e outros temas particulares em defesa da veracidade bíblica. Ainda, temas não menos importantes e atuais como aborto e clonagem, são tratados conforme o norte apontado ao longo do livro.

Em apenas 110 páginas, em uma leitura muito agradável, Ravi Zacharias nos leva a refletir acerca das reais vantagens da cosmovisão teísta em relação à ateísta, e que tais vantagens são muito bem embasadas em argumentos filosóficos e científicos.

Jônatas Duarte Lima

Ficha Técnica
A Morte da Razão: uma resposta aos neoateus
Editora: Vida
Páginas: 110
Como adquirir: Para encomendar online clique aqui. Entretanto, caso você resida na cidade de São Paulo/SP, indico a livraria El Shaddai, nos telefones (11) 3107-7297/ (11) 3242-5503.

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4 comentários em “Resenha | “A Morte da Razão”, de Ravi Zacharias

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Publicado às 12 de janeiro de 2015 por em Cristianismo, Ex-ateus, Livros, Razão, Resenhas e marcado , .
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